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Lipossarcoma de cordão espermático

Spermatic cord liposarcoma

 

Amir Jamil Karam Junior(1)
Ângelo Sementilli(2)
Milton Alves Mattozinho Filho(3)
Ricardo Alberto Aun(3)
Osanna Esther Codjaian(4)

(1) Residente de Urologia do Hospital Ana Costa
(2) Médico Patologista do Hospital Ana Costa
(3) Médicos Urologistas do Hospital Ana Costa
(4) Médica Oncologista do Hospital Ana Costa e da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos.

Local onde o trabalho foi realizado: Hospital Ana Costa de Santos.
Endereço para contato: Dr. Amir Jamil Karam Júnior, Rua Marcelino Champagnat, 116 – São Paulo, CEP 04114-000, telefone para contato: (11) 5572-9624, e-mail: amirkajr@hotmail.com
Recebido em 8 de outubro, 2004; aceito para publicação em 25 de outubro, 2004.

 

RESUMO

Os tumores mesenquimais do cordão espermático são raros, sendo o lipossarcoma um dos de maior freqüência. É originado do tecido gorduroso do cordão espermático e constituído por células adiposas, fibroblastos e células mixomatosas. Relatamos o caso de um paciente de 63 anos com esta enfermidade. Foi tratado com orquiectomia radical seguida por radioterapia e não apresenta sinais de doença ativa até o momento.
Palavras-chave: lipossarcoma, cordão espermático

 

ABSTRACT

Spermatic cord mesenchymal tumors are rare, being liposarcoma one of the most frequent. It is originated from the fatty tissue of the spermatic cord and consists of adipose cells, fibroblasts and mixomatous cells. We report a case of a 63-year-old patient with this disease. Treated with radical orchiectomy followed by radiotherapy and shows no signs of active disease until nowadays. Keywords: liposarcoma, spermatic cord

 

 

INTRODUÇÃO

Os tumores intra escrotais e extra testiculares são raros e 90% originam-se do cordão espermático. Rabdomiosarcomas na infância e leiomisarcomas na idade adulta são os mais freqüentes. Ambos não apresentam importantes diferenças no quadro clínico, quando comparados com os outros mesenquimais de cordão (lipoma, liposarcoma, mixocondrosarcoma e fibrosarcoma) 4.

Apresentam-se como massas em região inguinal, dolorosas ou não, e são distintos apenas histologicamente.

 

Relato de Caso

Identificação: J.B.D.U., masculino, 63 anos, branco, natural e procedente de Santos.

Queixa e Duração: abaulamento em região inguinal esquerda há 60 dias.

História Pregressa da Moléstia Atual: paciente com massa em região inguinal esquerda há 60 dias, de aparecimento súbito, indolor, com crescimento progressivo, consistência endurecida. Nega febre.

Antecedentes Pessoais: tabagista. Nega cirurgias anteriores.

 

Evolução

Submetido a ultra-sonografia de bolsa escrotal e região inguinal, que demonstrou testículos normais e espessamento de cordão espermático.

Indicada inguinotomia com achado de massa suspeita em cordão, de coloração amarelada.

Realizada orquiectomia radical com clampeamento alto do cordão. O anátomo-patológico confirmou um
liposarcoma mixóide de cordão espermático com testículos e margens do cordão livres (figuras 1 a 4).

Encaminhado à radioterapia 60 dias após a cirurgia onde foi submetido a tratamento com megavoltagem acelerada linear 9 Mev em região inguinal esquerda, totalizando dose de 5.000 cGy, do período de 10 de setembro a 21 de outubro de 2002. Desde então, permanece em seguimento através de consulta ambulatorial trimestral com os se guintes exames: raio X de tórax e tomografia computadorizada pélvico-abdominal. Atualmente sem evidências de doença. Sua última consulta foi em 5 de agosto de 2004, permanecendo assintomático.

 

Conclusão

Enfermidade rara, muitas vezes diagnosticada incidentalmente em achados de exame ou durante correções cirúrgicas de supostas hérnias inguinais 2,3. O tratamento de escolha é a orquiectomia radical com ligadura alta do cordão inguinal, seguida por radioterapia. Quimioterapia adjuvante é utilizada em casos de maior agressividade tumoral 1,2,4,5. Sua disseminação é hematogênica, e não linfonodal, como nos casos de tumores de testículos. Devido ao alto índice de recidiva, seu acompanhamento deve ser minucioso: a cada três meses nos dois primeiros anos, semestral nos dois anos seguintes e anual do quinto ano em diante .

 

Referências

  • Richie JP, Steve GS. Liposarcoma, Campbell´s Urology. 8 th ed (40): 2910-3;
  • Hassan J, Quisling SV, Melsun WV, Sharp KW. Liposarcoma of the spermatic cord masquerading as an incarcerated inguinal hernia. Am Surg 69 (2): 113-5, 2003;
  • Gómez Dorronsoro ML, Valinti Ponsa C. Spermatic cord Liposarcoma: differential diagnostic criteria and treatment. Arch Esp Urol 53(1): 65-7, 2000;
  • Abe DVS, Visona CBM, Suzzan S. Spermatic cord leyomiosarcoma. Brazilian Journal of Urology 27(6): 569-70, 2001;
  • Balbo MT , Pisters PW, Feig BW. Spermatic cord sarcoma: outcome, patterns of failure and management. J. Urol 166(4). 1306-10, 2001.

 

 

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