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Cálculo gigante em divertículo
de uretra feminina
Giant stone in female
urethra diverticulum
Gustavo Henrique Oishi (1)
Maurício Costa Bestane (2)
Ricardo Alberto Aun (3)
Woite Antônio Bertoni Meloni (4)
(1) Residente de Urologia do Hospital Ana Costa
(2) Médico Chefe do Serviço de Urologia do Hospital Ana Costa
(3) Médico Urologista do Hospital Ana Costa
(4) Médico Preceptor de Residência Médica de Urologia do Hospital Ana Costa
Local onde o trabalho foi realizado: Hospital Ana Costa
Endereço para contato: Rua Euclides da Cunha Nº 138 Apto 93, Gonzaga, Santos, CEP: 11065-100, telefone para contato: (13) 9783 4097
Recebido em 29 de setembro, 2004; aceito para publicação em 25 de outubro, 2004.
RESUMO
Introdução: o desenvolvimento de cálculo em divertículo é raro e pode ser decorrente de infecção e estase urinária. Nós relatamos um caso de um cálculo gigante de divertículo de uretra feminina secundário a processo infeccioso crônico.
Relato de caso: mulher, 48 anos, admitida no nosso serviço com grande massa vaginal. Apresentava história de vários episódios de infecção do trato urinário, ardor, grande dificuldade miccional crônicas e há um dia em retenção urinária aguda. A radiografia simples de abdome revelou imagem cálcica grande em topografia de bexiga. A ultra-sonografia mostrou uma calcificação retrovesical. Foi realizada colpotomia anterior e uretrotomia, um cálculo de 5 x 4 cm foi removido e o colo do divertículo foi fechado.
Discussão: a infecção urinária de repetição pode ter produzido um abscesso periuretral com formação de divertículo. A cavidade diverticular é sempre preenchida por tecido de granulação. O tratamento do divertículo uretral feminino adquirido está indicado nos casos sintomáticos e nas suas complicações. O colo deve ser sempre ressecado sem comprometer a luz uretral e a estenose distal sempre deve ser pesquisada e tratada no mesmo tempo.
Palavras-chave: uretra; divertículo; cálculo
ABSTRACT
Introduction: development of calculi within the diverticulum is far more infrequent and may be due to concurrent infection and urinary stasis. We report an female anterior urethral diverticula with a giant stone secondary to a concurrent infection.
Case report: a 48-year-old patient was referred to our institution with a vaginal hard mass. She had history of many episodes of urinary infections. She presented dysuria and urinary retention. A plain film revealed a large calcific image corresponding to a stone. The ultrasound showed a calcification posterior to the bladder and urethra. The colpotomy was performed, the stone was removed (5 X 4cm) and the diverticulum was closed.
Discussion: the recurrent urinary infection may have produced a periurethral abscess leadind to the diverticulum formation. The cavity in acquired diverticulum is usually lined with granulation tissue. The treatment of the acquired female urtehral diverticula is necessary in symptomatic cases or if complications arise. The diverticulum should be transected without affecting the lumen and the distal stenosis must be ressected.
INTRODUÇÃO
Os divertículos uretrais podem ser congênitos ou adquiridos. Os adquiridos correspondem a 90% dos casos, geralmente tendo como causa um trauma, obstrução ou infecção uretral. O surgimento de cálculos no interior dos divertículos é mais comum nos adquiridos onde a infecção e a estase urinária contribuem para sua formação.
Neste trabalho, relatamos um caso de cálculo gigante de divertículo uretral feminino secundário a infecção crônica.
RELATO DE CASO
Paciente feminino, 48 anos, com história de dor em hipogástrio há 3 dias e retenção urinária há 1 dia, relatava também disúria e urina fétida.
Apresentava antecedente pessoal de infecções urinárias de repetição, três partos cesáreas e síndrome do pânico.
Ao exame físico: abdome com globo vesical palpável no hipogástrio e, no exame ginecológico, havia massa de consistência endurecida em parede anterior da vagina de 4 cm, indolor, superfície lisa, bem delimitada e pouco móvel.
A radiografia simples da pelve mostrou imagem arredondada, radiopaca, cálcica, com anéis concêntricos dispostos internamente, sugerindo tratar-se de litíase vesical (Figuras 1A e 1B).
A ultra-sonografia do aparelho urinário apresentou como única alteração uma calcificação em região retrovesical e aparentemente retrouretral, medindo aproximadamente 4 cm, com rechaço dessas estruturas anteriormente (Figura 2).
A sondagem vesical foi difícil pela presença de resistência no terço médio da uretra.
A uretrocistoscopia evidenciou cálculo que ocluía a luz uretral e impediu a progressão do aparelho para a bexiga.
A paciente foi submetida a colpotomia, através de incisão em U invertido na parede vaginal anterior, e uretrotomia longitudinal, com retirada de cálculo de 5 x 4 cm em divertículo uretral (Figura 3A e 3B), ressecção da parte redundante do divertículo, colocação de sonda vesical de demora seguido do fechamento da uretra.
DISCUSSÃO
Os divertículos adquiridos da uretra têm como origem: partos vaginais complicados, instrumentação da uretra, aumento da pressão intrauretral durante a micção por estenose distal e infecção das glândulas periuretrais.
Neste caso, provavelmente, ocorreram infecções de repetição das glândulas periuretrais com obstrução dos ductos excretores. Levando-se a formação de cavidades císticas suburetrais que podem se infectar e abscedar. Os episódios repetitivos de infecção e abscedação destas glândulas levam a crescimento progressivo da cavidade e sua epitelização, formando-se, então, divertículos verdadeiros, onde a estase de urina favoreceu a formação do cálculo.
Geralmente estes divertículos localizam-se nos 2/3 distais da uretra, local onde se encontram as glândulas periuretrais. Mais comumente na parede posterior da uretra, podendo fistulizar-se para a parede anterior da vagina(1, 2, 3).
A paciente poderá apresentar sintomas urinários irritativos, hematúria, perdas urinárias após a micção, saída de secreção purulenta vaginal quando se faz a expressão da uretra, dispaurenia, infecção urinária de repetição, dificuldade miccional, retenção urinária, estenose de uretra, cálculos intradiverticulares e degeneração maligna(4,5,6,7).
CONCLUSÃO
Os cálculos diverticulares, na maioria das vezes, são solitários e com dimensões médias entre 2 e 4 cm, embora existam relatados de cálculos de até 9 cm. Sua composição usual é de magnésio e fosfato de amônia, o que reflete a associação com infecção urinária.
Os divertículos adquiridos de uretra devem ser tratados quando sintomáticos ou em presença de complicação. O divertículo deve ser excisado e seu colo fechado sem comprometer o lúmem uretral. Deve-se investigar a presença de estenose uretral distal que deve ser tratada simultaneamente à correção do divertículo.
REFERÊNCIAS
1- AssociaciónEspañoladeUrología, Divertículos de la uretra femenina www.aeu.es/Ponencias/allona/CAPITU7.pdf
2- Kamal BA, Anikwe RM, Darawani H, Hashish M, Taha SA. Urethral calculi: presentation and management. BJU Int. 2004;93(4):549-52.
3- Romanzi LJ, Groutz A, Blaivas JG. Urethral diverticulum in women: diverse presentations resulting in diagnostic delay and mismanagement. J Urol. 2000;164(2):428-33.
4- Larkin GL, Weber JE. Giant urethral calculus: a rare cause of acute urinary retention. J Emerg. Med. 1996;14(6):707-9.
5- Arocena Lanz F, Garrido Rivas C, Azparren Echeverria J, Madina Albisua J. Diverticula of the female urethra. Our experience. Arch Esp Urol. 2003;56(8):893-8.
6- Gonzalvo Perez V, Botella Almodovar R, Canto Faubel E, Gasso Matoses M, Llopis Guixot B, Pólo Peris A. Urethral diverticulum Complicated with giant lithiasis. Actas Urol Esp.1998;22(3):250-2
7- Wittich AC. Excision of urethral diverticulum calculi in a pregnant patient on an outpatient basis. J Am Osteopath Assoc. 1997;97(8):461-2.
Figura 1A - Imagem radiopaca em Pelve
Figura 1B - Anéis Concêntricos
Figura 2 - Calcificação retrovesical
Figura 3A - Colpotomia com com exposição do divertículo e cálculo no seu interior.
Figura 3B - Cálculo do divertículo uretral 5 x 4 cm.
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