Home
Quem Somos
Normas de Publicação
Edição Atual
Números Anteriores
Links
Entre em Contato

 

 

Coroidite helicoidal
Geografic helicoid choroiditis

 

 

Maximiliano da Silva 1
Marcos Alonso Garcia 2
Celso Afonso Gonçalves 3
Ana Helena Raposo Ferreira 4
Hélcio Valério Passos Junior 5

1 Ex- estagiário de Oftalmologia do Hospital Ana Costa, de Santos.
2 Chefe dos residentes de Oftalmologia do Hospital Ana Costa, de Santos.
3 Chefe do serviço de Oftalmologia do Hospital Ana Costa, de Santos.
4 Médica Oftalmologista do Hospital Ana Costa, de Santos.
5 Residente de Oftalmologia do segundo ano do Hospital Ana Costa, de Santos.

Local onde o trabalho foi realizado: Hospital Ana Costa, Santos - SP
Endereço para correspondência: Rua Pedro Américo, 60 – 10º andar – Divisão de Ensino, Santos/SP - CEP: 11.075-905 - e–mail: divensino@anacosta.com.br

Recebido em 9 de dezembro, 2004; aceito para publicação em 16 de agosto, 2005.

 

 

RESUMO

Introdução: A Coroidose Serpiginosa, ou Helicoidal, é uma forma de uveíte que recebe estas denominações em função da aparência característica da inflamação que acarreta na retina. É um transtorno geralmente bilateral podendo ser assimétrico, de desenvolvimento crônico e infreqüente, progressivo e recorrente. Afeta primariamente a coriocapilar e o epitélio pigmentar da retina (EPR). Sua etiologia é desconhecida, acometendo desde adultos jovens até idosos.
Relato de caso: Os autores apresentam o caso de um paciente portador de Coroidite Helicoidal, também conhecida como serpiginosa ou geográfica. O objetivo é relatar uma patologia infreqüente em nosso meio e que tem diagnóstico diferencial com outras coroidites multifocais e várias patologias de pólo posterior.
Discussão: Pretendemos, através deste trabalho, expor algumas considerações acerca do diagnóstico diferencial entre processos inflamatórios que ocorrem no fundo de olho, dando ênfase às alterações relacionadas ao epitélio pigmentar da retina.

Palavras-chave: coroidite, uveíte, inflamação, epitélio pigmentar da retina, coroidite geográfica helicoidal, coroidite serpiginosa.

 

 

ABSTRACT

Introduction: The choroiditis geografic helicoid is an uveitis, and have this name because of your aspect. Is a bilateral and assimetric trouble, with cronical and infrequent development, progressive and recurring that first attack the choroidand the retinal pigment epithelium (RPE). It´s a disease with unkwon etiology, and attacks since young adults until old ones.
Case report: The objective is report a case of choroiditis geografic helicoid, an infrequent disease in our society that have differential diagnosis with many others disease of choroid.
Discussion: The authors are pretend to expose some considerations about the differential diagnosis in the inflammantions of the fundus, gives enphasis to the retinal pigment ephitelial alterations.

Keywords: Choroiditis, uveitis, inflammations, retinal pigment ephitelium, choroiditis geografic helicoid, choroiditis serpiginous.

 

 

 

INTRODUÇÃO

A coroidite helicoidal, também conhecida como coroidose serpiginosa ou geográfica. Foi inicialmente descrita por Franceschetti em 1968, que a denominou de degeneração coriorretiniana peripapilar helicoidal, sendo então conhecida como entidade distinta a mais de 60 anos. Sua etiologia permanece desconhecida e sem manifestações com quadros sistêmicos, acometendo adultos, jovens e idosos sem predileção por gênero ou raça. (1,2,3) .

Seu acometimento é, geralmente unilateral no começo, com comprometimento posterior do outro olho, com reação de câmara anterior ou vítreo que, quando presente, costuma ser leve, sendo, portanto uma doença inflamatória rara, crônicamente recorrente, de curso variável, com meses ou anos de inatividade entre os episódios. Seus achados clínicos caracterizam-se, na maioria dos casos, sem sintomas visuais evidentes, a não ser que a mácula esteja envolvida, manifestando-se, então, com borramento da visão, metamorfopsias, escotomas e fotopsias. Quando ocorrer envolvimento foveal, a acuidade é reduzida de forma significante. 1,2,3,4 . As lesões típicas aparecem agrupadas em formatos geográficos no polo posterior, às vezes, ao redor do nervo óptico com projeções polipoidais emergindo em direção à periferia retiniana.

 

 

RELATO DE CASO

Paciente de 43 anos, procurou o serviço de oftalmologia do Hospital Ana Costa de Santos, para consulta e “troca de grau”. Referiu baixa de acuidade visual em ambos os olhos para longe e para perto há mais ou menos um ano. Relatou episódios recorrentes de visão borrada que costumava melhorar com o tempo. Negava patologias sistêmicas ou oculares prévias.

Ao exame oftalmológico, demonstrou acuidade de 20/40 em ambos os olhos com correção para longe e de J 1 para perto em ambos os olhos. O exame externo apresentava mobilidade ocular preservada, reflexos pupilares direto e consensual preservados. Na biomicroscopia, córnea transparente, ausência de reação de câmara anterior ou precipitados ceráticos. No exame de biomicroscopia de fundo, observou-se rarefação importante do epitélio pigmentar da retina, sendo então, solicitado um mapeamento de retina, o qual evidenciou lesões caracterizadas por áreas irregulares de coloração mais clara em relação a retina adjacente, com uma configuração geográfica em forma quadrangular, sem formar placas, porém de coloração hiperpigmentar, apresentando estágios variados de atrofia do epitélio pigmentar da retina. (figuras 1 e 2).

 

 

DISCUSSÃO

Como esta entidade tem caráter tipicamente recidivante, os episódios de inflamação podem acometer sucessivamente os dois olhos de maneira independente, o que torna a aparência fundoscópica assimétrica. Novas lesões surgem em áreas contíguas às pré-existentes, em progressão centrífuga, o que corrobora a sinonímia de helicoidal. Podemos observar áreas concomitantes de cicatrizes antigas e outras de atividade inflamatória. Recorrências ocorrem como novas lesões, normalmente nas áreas adjacentes às lesões antigas. 1,3,5

A angiofluoresceinografia demonstra áreas hiperfluorescentes por defeito em janela nas áreas de mobilização do epitélio pigmentar da retina e nas áreas cicatrizadas. (Figuras 3 e 4). Os exames eletrofisiológicos não contribuem, pois costumam apresentar-se normais, tanto o eletroretinograma como o eletrooculograma .

O campo visual apresenta escotomas absolutos que tem relação morfológica com o aspecto e localização das lesões observadas à oftalmoscopia. 4,6 A coroidite serpiginosa pode, às vezes, ser acompanhada de sinais inflamatórios do segmento anterior e do vítreo, podendo culminar com a formação de membranas neovasculares subretinianas.

Uma vez que a etiologia ainda não é conhecida, não se conhece tratamento específico. Existe um consenso entre os oftalmologistas de que corticoterapia é eficaz nas crises de agudização, devendo ser iniciada com esteróides orais, em doses anti-inflamatórias, sendo que ainda não apresenta um consenso sobre o uso de imunossupressores.

A coroidopatia serpiginosa e uma afecção aguda ou crônica recorrente geralmente bilateral que afeta a coriocapilar, o epitélio pigmentar da retina e, conseqüentemente, a retina neurosensorial. Geralmente, a acuidade visual é preservada, uma vez que a mácula é poupada na maioria dos casos, sendo que, ocasionalmente, em surtos pode acarretar severa baixa de visão. Muito importante para guiar o tratamento é o estudo da angiofluoresceinografia, que indicará a progressão ou cicatrização das lesões. A coroidite serpiginosa é uma condição clínica descrita há muitos anos, não apresentando mecanismos etiopatogênicos bem estabelecidos e, portanto, torna-se importante o acompanhamento clínico, com exames complementares periódicos.

 

Referências

1. Lampariello DA. Geographic (serpiginous) choroiditis. J Am Optom Assoc. 1992;63:112-6.

2. Wu JS, Lewis H, Fine SL, Grover DA, Green WR. Clinicopathological findings in a patient with serpiginous choroiditis and treated choroidal neovascularization. Retina. 1989;9:292-301.

3. Ávila M, Farah ME, Dants AM, Lavinsky J, Moreira CA, Cialdini A, et al. Retina & Vítreo: Clínica e cirurgia. São Paulo:Roca, 2000. p. 736-738.

4. Bonomo PP, Cunha SL. Doenças da mácula. São Paulo:Roca, 1993. p. 107.

5. Dantés D, Siqueira RC. Angiografia da retina - Fluoresceína e Indocianina Verde. São Paulo:Revinter, 2003. p. 219-221.

6. Laatikainen L, Rrkkila H. A follow-up study on serpiginous choroititis. Acta Ophtalmol. 1981;59:707-17.

 

Figura 1.

 

Figura 2.

Áreas claras com centro pigmentado, bem delimitadas,
rodeando área macular em ambos os olhos.

Figura 3.

 

Figura 4.

Angiofluoresceinografia com áreas hiperfluorescentes por defeito em janela

 

 

 

Copyright Hospital Ana Costa S.A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Hospital Ana Costa S.A.. Para saber como adquirir o direito de publicação das notícias mande sua solicitação para o endereço falecom@revistamedicaanacosta.com.br

 

Índice

 

marcasite !