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Fatores genéticos associados à virulência de Legionella spp
Genetic factors associated with the virulence of Legionella spp

 

 

Aline Guerra Correia 1
Andressa Pires Rocha Soares 1
Roberta Almeida Castro 1
Tahisa Beatriz de Araújo Gurgel 1
Luciana B. S. de Souza 2
Willma J. Santana 2
Henrique D. M. Coutinho 3

1 Discente – Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte – FMJ;
2 Docente - Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte – FMJ;
3 Docente - Universidade Regional do Cariri – URCA.

Local onde o trabalho foi realizado: Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte - FMJ
Endereço para contato: Henrique Douglas Melo Coutinho - Universidade Federal da Paraíba – UFPB - Centro de Ciências Exatas e da Natureza – CCEN - Departamento de Sistemática e Ecologia – DSE - Programa de Pós – Graduação em Ciências Biológicas João Pessoa – PB - CEP 58051-900 - Telefone: (83)2254617 - e-mail: hdouglas@zipmail.com.br ou h-douglas@bol.com.br

Recebido em 25 de julho, 2005; aceito para publicação em 26 de setembro, 2005.

 

RESUMO

A principal espécie do gênero Legionella associada às doenças em humanos é a Legionella pneumophila , que habita tanto em águas naturais, como sistemas de ar condicionado. Ela é responsável pela Doença dos Legionários e possui vários fatores genéticos associados à virulência, facilitando o seu crescimento ou a infecção intracelular de monócitos humanos e macrófagos alveolares. Os genes relacionados com a virulência do gênero Legionella estão no loci icm/dot do cromossomo, são eles: lvgA que possui funções pleiotrópicas; ortholog e Legionella pneumophila ptsP , afeta o crescimento intracelular; os genes iraA e iraB estão envolvidos com a virulência e com a absorção férrica, respectivamente; o fliA codifica o fator s 28 alternativo na expressão de flagelos; o rtxA , que está envolvido desde a aderência até a formação de poros pela L. pneumophila ; já o relA não provoca nenhum efeito nos hospedeiros; e o fator Mip contribui para a sobrevivência intracelular da L. pneumophila .

Palavras-chave: Legionella pneumophila , Legionella spp , virulência, doença dos legionários, fatores genéticos.

 

ABSTRACT

The main species of the genus Legionella related to disease in humans is the Legionella pneumophila, living in natural water and air-conditoning systems. It is responsible for the Legionnaire's disease and has many genetics factors associated to its virulence, making easier your growth inside the human monocytes and macrophages in the lungs. The genes related to the virulence of the Legionella are in the loci icm/dot , being: lvgA , with pleotropic functions; o rtholog and Legionella pneumophila ptsP, that affects the intracellular growth; the genes iraA and iraB , involved, respectively, with the virulence and iron acquisition; fliA , that encodes the alternative s 28 factor in the expression of flagellin; the rtxA , involved in the adherence and pore formation by L.pneumophila; the relA , with no effect on the host and the Mip factor, that contributes to the intracellular survival of L.pneumophila .

Keywords: Legionella pneumophila , Legionella spp , virulence, Legionnaire's disease, genetic factor.

 

 

 

INTRODUÇÃO

As bactérias do gênero Leg ionella são bacilos Gram-negativos aeróbios, que se coram fracamente pelo método de Gram (e, portanto, são facilmente despercebidos), possuem forma de bastão e pertencem a família Legionelloceae , constituída de microrganismos pleomórficos móveis que exigem cisteína e ferro para crescimento e causam uma doença semelhante à pneumonia em humanos (Legionelose). Os patógenos habitam águas naturais ou tratadas, como lagos e reservatórios, sistemas de ar condicionado e torres de resfriamento. São originalmente parasitas de amebas de água doce, porém, podem atingir o homem. 1,16

Dentre as 39 espécies atualmente conhecidas, aquelas mais comumente relacionadas com doenças em humanos são Legionella pneumophila, L. micdadei, L. longbeachae, L. dumoffii e L. bozemanii . Em pacientes imunocompetentes, a L. pneumophila , particularmente do sorogrupo 1, é responsável pela grande maioria das legioneloses. A L. micdadei é a principal causadora da doença em indivíduos imunocomprometidos, juntamente com a L. pneumophila . O período de incubação da doença é de cerca de uma semana, podendo variar de 2 a 14 dias. A imunidade do tipo celular é a mais importante no combate à bactéria. 9

A legionelose causa uma síndrome pneumônica associada com sinais e sintomas prodrômicos. O diagnóstico diferencial com outros tipos de pneumonia faz-se necessário, uma vez que o tratamento com penicilinas ou cefalosporinas não é eficaz na Doença dos Legionários. 9

Uma das causas de pneumonia atípica é a Doença dos Legionários (causada pela L. pneumophila ) que apresenta um envolvimento sistêmico muito amplo e o paciente pode apresentar confusão mental, diarréia e evidência de comprometimento renal ou hepático. E a Febre Pontiac (pode ser causada por outras espécies) é uma doença menos grave, semelhante à gripe. A L. pneumophila foi a primeira espécie do gênero isolada e caracterizada e foi encontrada em tecido pulmonar humano, secreções respiratórias, líquido pleural e sangue. 16

A contaminação dá-se através da inalação de partículas de água contaminada (aerossóis) ou por via aerógena, assim, deve haver uma manutenção adequada dos sistemas de ar condicionado de todo hospital de modo a dificultar a multiplicação destes organismos. 9

A primeira epidemia por Legionella foi documentada em 1957, mas o reconhecimento mundial deste agente etiológico como causador de doença em humanos deu-se em 1976, quando participantes da Legião Americana na Filadélfia infectaram-se e desenvolveram uma forma inicialmente não solucionada de pneumonia. Daí, portanto, seu nome. 9

Os fatores de virulência são obscuros, mas a sobrevivência intracelular nos macrófagos alveolares é importante, bem como a predisposição do hospedeiro (imunocomprometimento, doença pulmonar crônica). 16

 

 

FATORES GENÉTICOS ASSOCIADOS À VIRULÊNCIA

A Legionella pneumophila reproduz-se exclusivamente como um parasita intracelular de ameba, mas também persiste no ambiente como um micróbio livre. Estudos de como esse patógeno oportunista reconhece e responde a distintos ambientes extracelular e intracelular identificaram uma ligação previamente entre a fase de crescimento e expressão de características correlacionadas com virulência. Quando cultivado em líquido, a fase pós-exponencial da L. pneumophila era sensível a sódio, citotóxica, osmoticamente resistente, competente na invasão de lisossomos de macrófagos, infecciosa e móvel. Igualmente, o fenótipo mudou durante crescimento em macrófagos. Durante o período de replicação intracelular, essa bactéria era resistente a sódio e sem flagelo; concomitante com lise de macrófagos, a L. pneumophila ficou sensível a sódio e flagelada. A expressão do fenótipo virulento era uma resposta à fome, desde a fase exponencial até a incubação em líqüido na fase estacionária, com exceção de quando foi suplementado com aminoácidos. Juntos, estes dados indicam que, enquanto os nutrientes são abundantes, o parasita intracelular dedica-se à replicação; quando aminoácidos tornam-se limitados, a progênie expressa fatores de virulência para escapar do anfitrião gasto, para se dispersar e sobreviver no ambiente aquático, restabelecendo um protegido nicho intracelular favorável ao crescimento. 3

Vários fatores de virulência da L.pneumophila, facilitando o crescimento ou a infecção intracelular, foram identificados dentro de telas que usam macrófagos ou usam células parecidas com macrófagos, mas não animais. Assim, tais fatores foram selecionados com um erro sistemático para crescimento deficiente dentro de macrófagos. Um excelente pequeno roedor modelo com pneumonia da Doença de Legionário que mimetiza a doença humana em imunocomprometidos. 7

Em relação a exames sorológicos, testes diretos com anticorpos monoclonais fluorescentes realizados em amostras de escarro apresentam a vantagem da especificidade, distinguindo L. pneumophila de contaminantes ambientais. Entretanto, poucos organismos podem estar presentes no escarro expectorado. As técnicas de coloração por prata são melhores que o método padronizado de coloração por Gram; exibem meios enriquecidos contendo ferro e cisteína para remover os ácidos graxos. A maioria exige incubação única de três a cinco dias para crescimento e as colônias apresentam uma aparência de vidro fosco. A identificação completa baseia-se na exigência de cisteína e em características sorológicas. O diagnóstico freqüentemente baseia-se na detecção de anticorpos ao invés de cultura. 16

A Legionella pneumophila é uma bactéria intracelular facultativa que pode crescer em monócitos humanos e macrófagos alveolares e em macrófagos de pequenos roedores. Duas regiões de 20-kb, em genes não ligados, que são requeridas para a multiplicação intracelular e morte de macrófagos humanos foram identificadas no cromossomo da L. pneumophila ; elas foram designadas icm (multiplicação intracelular) e dot (defeito em organela que trafica). A região I contém sete genes (icmV, -W, e -X e dotA, -B, -C, e -D), e a região II contém 16 genes (icmT, -S, -R, -Q, -P, -O, -N, -M, -L, -E, -G, -C, -D, -J, -B, e-F). Todos estes genes foram mostrados também para serem requeridos no crescimento intracelular em Acanthamoeba castellanii . 17

 

Genes de icm/dot

Para investigar o regulamento dos genes na região icm/dot da Legionella pneumophila requeridos para o crescimento intracelular, foram feitas nove fusões de icm::lacZ . Essas fusões de icm::lacZ foram achadas para ter níveis diferentes de expressão na L. pneumophila . A expressão mais alta de cinco delas foi na fase estacionária do que na fase exponencial. Quando a expressão destas fusões foi testada em E. coli , todos elas foram achadas para serem expressas, mas três tiveram mudanças dramáticas nos seus níveis de expressão em comparação com as da L. pneumophila . PCR random com mutagenes fusionados de icm::lacZ foram usados para identificar os elementos reguladores dos genes de icm no DNA. Em quatro genes de icm (icmT, icmP, icmQ, e icmM) que tiveram baixos níveis de expressão na L.pneumophila foram achados uma seqüência de 6-bp (TATACT) essencial para a expressão deles. Esta seqüência foi mostrada através de extensão de primer para servir como os seus dez elementos promotores. Uma seqüência semelhante que constitui os dez elementos promotores do icmV, icmW e genes de icmR que tiveram níveis altos de expressão na L. pneumophila , também foi identificada. Além disso, foram achados elementos reguladores que provavelmente servem como sítios ligadores para regulação da transcrição desses genes. Foram achados completamente doze elementos reguladores, dos quais sete constituem os dez elementos promotores dos genes de icm . Embora todos genes de icm/dot sejam parte de um sistema requerido para o crescimento intracelular da L.pneumophila e os seus promotores, provavelmente sejam reconhecidos pelo fator sigma vegetativo, parece que eles são submetidos a uma diferente regulação, mediada por vários outros fatores reguladores. 11

Legionella pneumophila é um patógeno intracelular facultativo que responde pela maioria de casos da Doença dos Legionários nos Estados Unidos e Europa, mas outra Legionella spp. foi mostrada como causa da doença. Em contraste, a L. longbeachae é a causa principal da Doença dos Legionários na Austrália. A característica da doença causada pela L. pneumophila é a replicação intracelular dentro de fagócitos nos espaços alveolares e o sistema de secreção icm/dot Tipo-IV é essencial para replicação intracelular. Neste estudo, 27 linhagens de Legionella spp. pertencentes a 16 espécies estiveram isoladas de humanos ou do ambiente. Assim, foram examinadas cinco características de virulência exibidas pela L. pneumophila : citopatogenicidade, replicação intracelular dentro de macrófagos, indução de fragmentação de apoptose/DNA, citólise mediada por formação de poros na célula do hospedeiro e a presença do loci de icm/dot. As linhagens foram divididas em dois grupos largos (grupos citopatogênicos alto e baixo) baseado em ensaios de citopatogenicidade que usam U937 humano derivado de macrófagos. As outras quatro características de virulência foram avaliadas nos grupos citopatogênicos alto e baixo de espécies de Legionella . A maioria do sorogrupo 1 das linhagens de L. pneumophila tiveram uma alta citopatogenicidade em 72 h, altos níveis manifestados no crescimento intracelular, fragmentação induzida de apoptose/DNA, e exibiu atividade de formação de poros. A maioria das outras espécies era do grupo de baixa citopatogenicidade que não induziu apoptose, nem exibiram a formação de poros. Todas as espécies de Legionella testadas têm todo o loci de icm/dot , quando examinadas por hibridação de DNA. Nenhuma correlação foi achada entre citopatogenicidade e as outras quatro características patogênicas. 2, 6

 

Gene l vgA

O lvgA é um novo gene de virulência que é responsável por funções pleotrópicas que envolvem mecanismos extracelular e intracelular de resistência bacteriana. A seqüência completa deste gene é 627 bp e seu produto de proteína possui aproximadamente 27 kDa em tamanho. Nenhum ácido nucléico significante ou proteína homóloga foram achados no banco de dados de GenBank para o gene. A expressão de dotA e icmX no mutante de lvgA era normal. Estudos do fracionamento subcelular localizou lvgA na fração da membrana exterior enquanto estudos de digestão de protease sugeriram que pelo menos alguma proteína é expressada na superfície. Nenhuma mudança na composição de lipopolissacarídeo bacteriano ou reatividade para antisorogrupo específico foi descoberta no mutante. A microscopia eletrônica mostrou que ribossomos mutantes estão espalhados nas bactérias que residem em fagossomos de macrófagos alveolares, sem distinção de seus parentes. 8

 

Gene ortholog

Identificou-se previamente a Legionella pneumophila ptsP (fosfoenolpiruvato fosfotransferase), gene ortholog , como um suposto fator de virulência usando um pequeno roedor (cobaia) com pneumonia. A L. pneumophila ptsP tem 2.295 bases em comprimento. Concluiu-se que a seqüência de aminoácidos teve alta semelhança com ortholog de ptsP de Pseudomonas aeruginosa, Azotobacter vinelandii e Escherichia coli , com comprimentos quase idênticos. Verificou-se que, enquanto o mutante cresceu bem em meio de laboratório, ele se multiplicou defeituoso no pulmão e baço de pequenos roedores. Cresceu lentamente em macrófagos alveolares de pequenos roedores, apesar da boa absorção nas células. Além disso, havia crescimento mínimo em uma linha celular epitelial alveolar humana (A549). A L. pneumophila ptsP expressou dotA e icmX em quantidades aparentemente normais, sugerindo que a mutação de ptsP não afetou a regulação de dotA e icmX. Além disso, o mutante era resistente a soro e matança de neutrófilos. Estes achados mostram que a L. pneumophila ptsP é requerida totalmente na virulência in vivo da L. pneumophila , provavelmente afetando o crescimento intracelular. 13

 

Gene relA

Para investigar o envolvimento de re lA no regulamento da virulência da Legionella pneumophila , uma substituição de deleção foi feita no gene relA, resultando em um nível não detectável de ppGpp nas células durante a fase estacionária, mas o nível original foi restabelecido quando o produto de gene de relA foi provido em um plasmídio. Foi examinado o efeito da mutação de relA com dois sistemas que são conhecidos para ser expresso durante a fase estacionária em L. pneumophila . A produção de pigmento parece ser dependente do produto do gene, e só metade do pigmento foi produzido pelo mutante de relA pela linhagem de tipo selvagem. Gene de expressão de flagelo também foi encontrado e é dependente do produto do gene, como foi determinado com a fusão de flaA::lacZ. Porém, o produto encontrado do relA parece ser dispensável para o crescimento intracelular em macrófagos humanos HL-60-derivados e no protozoário A. castellanii. Para determinar o envolvimento do produto de relA expressados em genes da L. pneumophila requeridos para crescimento intracelular (genes de icm/dot ), foram feitas nove fusões de icm::lacZ e expressões destas fusões foram realizadas na linhagem do tipo selvagem comparadas com a expressão em linhagem mutante de relA . Expressão única das fusões de icm::lacZ estava moderadamente reduzida na linhagem mutante de relA. Expressão das nove fusões de icm::lacZ também foi examinada em uma linhagem que contém uma inserção no gene que codifica para o fator RpoS na fase estacionária e foram obtidos resultados semelhantes. Logo, o RelA é dispensável para crescimento intracelular da L. pneumophila nos dois hospedeiros examinados e que RelA e RpoS fazem papéis secundários na expressão do gene icm/dot na L.. pneumophila . 19

 

Genes iraA/iraB

Usando mutagenes mini-Tn10, isolou-se previamente uma L. pneumophila mutante que era hipersensível a ferro. Este mutante, NU216 e seu alelo equivalente, NU216R, também estava defeituoso para infecção intracelular, particularmente em células de hospedeiros deficientes de ferro. Para determinar se NU216R estava atenuado para virulência, foi avaliada sua habilidade para causar doença em pequenos roedores modelo com inoculação de intratraqueal. Animais infectados com NU216R renderam 1,000- fold com poucas bactérias nos pulmões e baço dos pequenos roedores, comparados a animais infectados com o tipo selvagem-130b que tinham recebido uma dose mais baixa de 50- fold . Além disso, animais infectados com NU216R clarearam as bactérias subseqüentemente desses locais. Enquanto a infecção com 130b resultou em febre alta, perda de peso e pele enrugada, na inoculação com NU216R não se encontrou qualquer sinal de doença. A análise da seqüência de DNA revelou que a inserção de transpóson em NU216R foi encontrado na primeira leitura aberta da organização de dois genes óperon. Essa leitura aberta da organização ( iraA ) codifica uma proteína de 272 aminoácidos que mostrou semelhança na seqüência de metiltransferases. A segunda leitura aberta da organização ( iraB ) codificou uma proteína de 501 aminoácidos que é altamente semelhante a di e tripeptídeos transportadores de procariontes e eucariontes. Análises de hibridação “southern” determinaram que o locus de iraAB foi limitado em grande parte a linhagem da L. pneumophila , a mais patogênica das espécies de Legionella . Um recente mutante derivado contendo um alvo defeituoso de iraB mostrou habilidade reduzida para crescer sob condições de depleção extracelular de ferro, mas não teve um defeito de infectividade dentro das células U937 parecidas com macrófagos. Assim, sugere-se que iraA seja crítico para a virulência da L. pneumophila, enquanto iraB é envolvido em um novo método de aquisição férrica que pode utilizar peptídeos carregadores de ferro. 18

 

Gene fliA

Estudos foram feitos para análise do fator {sigma}28 alternativo na virulência e na expressão de flagelos na L. pneumophila . O gene fliA desta espécie que codifica o fator {sigma} 28 alternativo foi inativado introduzindo um cassete de resistência de canamicina. Microscopia eletrônica e análise por Western Blot revelaram que a linhagem mutante de fliA é aflagelada. Ensaios relatados de genes indicaram que o promotor de fliA não é ativo na linhagem mutante de fliA e multiplicou-se menos efetivamente em culturas com amebas do que com a linhagem de tipo selvagem, e não pôde reproduzir-se em cultura com Dictyostelium discoideum . 12

 

Gene rtxA

Parasitismo da L. pneumophila envolve aderência, entrada, sobrevivência, replicação intracelular e expansão de célula a célula. Isolaram três loci, designados enh1, enh2 e enh3 que estão envolvidos na habilidade da L.pneumophila para entrar em células do anfitrião. Um dos genes presentes no locus de enh1 , rtxA , é homólogo a repetições em genes de toxina estruturais (RTX) achadas em muitos patógenos bacterianos. Proteínas de RTX de outras espécies bacterianas são comumente citotóxica e alguns deles foram mostrados para receptores ligados a integrina 2. Confirmou-se que o rtxA está envolvido na aderência, citotoxidade e formação de poro, além de seu papel em entrada. Logo , este gene é o mais provável fator determinante da virulência L. pneumophila . 5

 

Anticorpo monoclonal ( mAb ) 2625

A primeira descrição de expressão na fase variável do LPS da Legionella, foi feita com a adição de anticorpo monoclonal ( mAb ) 2625 que se elevou contra o lipopolissacarídeo (LPS) do
sorogrupo 1, subgrupo OLDA, da L. pneumophila isolado do mutante 811 da linhagem virulenta tipo-selvagem RC1. Este mutante não era reativo com mAb 2625 e exibiu um fenótipo instável,
desde que foi observada a troca in vitro e in vivo do mutante 811 para o fenótipo positivo mAb 2625, restabelecendo assim o tipo selvagem do LPS. Ensaios bactericidas revelaram que aquele mutante 811 era lisado através de componentes do complemento do soro, considerando que a linhagem parental RC1 era quase soro-resistente. Além disso, o mutante 811 não pôde reproduzir-se intracelularmente dentro de células HL-60 parecidas com macrófagos. No pequeno roedor-modelo, o mutante 811 exibiu habilidade significativamente reduzida para reprodução. Entre bactérias recuperadas, o mAb 2625 positivo revertido foi aumentado ao quádruplo. A relevância de LPS para a fase de troca para patogênese de infecção da Legionella foi confirmada mais adiante pela observação de que 5% das bactérias recuperadas nos pulmões infectados dos pequenos roedores com a linhagem do tipo selvagem RC1 foi negativo para a ligação de mAb 2625. Estes achados indicam fortemente que em condições in vivo que ocorre a troca entre dois fenótipos de LPS pode promover adaptação e replicação de L. pneumophila . 10

 

Fator de virulência Mip

O fator de virulência Mip (potencializador da infectividade de macrófago) contribui para a sobrevivência intracelular da L. pneumophila . A proteína consiste em dois domínios que estão conectados por uma alfa-hélice muito longa. O duplo domínio de C-terminal (resíduos 100 a 213) é relacionado de perto a proteína FK506 que se liga à proteína (FKBP12) humana, como FKBP12, Mip, que exibe atividade propilpeptídeo cis/trans isomenrase (PPIase). O domínio alfa-helicoidal N-terminal é responsável pela formação de homodímeros de Mip muito estáveis. Para determinar a importância do estado de homodímero de Mip por suas atividades bioquímicas e para infectividade da Legionella , um Mip monomérico variante truncado [Mip(77-213)] foi super-expressado em E.coli e caracterizado bioquimicamente. Foram revelados ensaios in vitro da atividade da isomerase que a proteína alterada exibe completa atividade isomerase para substratos de peptídeo. Porém, a deleção resultou em uma perda dramática na eficiência na replicação do reduzido e carboxi-metilado RNase T1. Por complementação cis no mutante Mip -negativo da linhagem L.pneumophila JR32-2, foi construída a linhagem L. pneumophila JR32-2.4 que expressa um N-terminal truncado variante de Mip. Estudos de infecção com estas linhagens revelaram que a parte N-terminal e a dimerização de Mip são necessárias para virulência completa em Acanthamoeba castellanii , mas não sua atividade de PPIase. Infecções em pequenos roedores mostraram que dimerização deficiente Mip (JR32-2.4) ou uma baixa atividade de PPIase (JR32-2.2) atenuou-se significativamente no animal modelo. Esses resultados sugeriram um papel diferente da atividade de PPIase e o N-terminal mediado pelo estado dimérico de Mip em sistema monocelular e durante a infecção em pequenos roedores. 15

 

Comparação entre espécies

Enquanto a maioria dos casos de Doença de Legionários foi atribuída a L.pneumophila , a L.micdadei pode causar uma infecção semelhante em pessoas imunocomprometidas. Consistente com seu perfil epidemiológico, o crescimento de L. micdadei foi em macrófagos menos robustos que os da L. pneumophila . Na identificação destas características da Legionella spp, são correlatadas que o crescimento eficiente em macrófago foi feito com duas aproximações. Primeiro, uma análise fenotípica comparada com quatro L micdadei isoladas clinicamente foi feita para uma boa caracterização da linhagem L. pneumophila . Sete características previamente correlatadas com a virulência da L. pneumophila foram avaliados: infecção e replicação em macrófagos, evasão de fusão de fagolisossomos, citotoxidade contato-dependente, sensibilidade ao sódio, resistência osmótica e transferência de DNA conjugal. Por quase toda medida, a L. micdadei apareceu menos virulenta que a L. pneumophila . A exceção surpreendente foi da L. micdadei 31B que evadiu lisossomos e reproduziu-se tão eficazmente quanto L. pneumophila em macrófago, apesar de faltar citopatogenia contato-dependente e sensibilidade regulada ao sódio. Segundo, em uma tentativa para identificar fatores genéticos de virulência, uma biblioteca genômica da L.pneumophila foi escolhida para clones que conferiram crescimento intracelular com a L. micdadei . Nenhum loci foi encontrado, consiste em diferenças fenotípicas múltiplas observadas para as duas espécies. Aparentemente, L. pneumophila e L. micdadei usam estratégias distintas para colonizar macrófagos alveolares, enquanto causam a Doença de Legionários. 14

O crescimento Intracelular da Acanthamoeba. castellanii afeta mecanismos de entrada nos monócitos e aumenta a virulência da L. pneumophila . Observou-se que, quando esta cresce em um de seus anfitriões ambientais, A. castellanii , é fenotipicamente diferente daquela crescida em um padrão médio de laboratório (ágar BCYE). Para explorar se o crescimento amebóide da L. pneumophila difere do crescimento BCYE nestas características, foi examinada a entrada em monócitos, replicação em macrófagos ativados e virulência em ratos. A entrada pelo crescimento amebóide em monócitos freqüentemente aconteceu em fagócitos espiralados e foram menos afetados através de opsonização do complemento e eram menos sensíveis a inibidores de microtúbulos e microfilamentos do que pelo crescimento de bactérias em BCYE. Além disso, o crescimento amebóide da L. pneumophila exibiu um aumento na replicação em monócitos e são mais virulentos em A/J, C57BL/6 Beige, e C57BL/6 em ratos. 4

Foram identificadas pelo menos 48 espécies de Legionella, incluindo 70 sorogrupos distintos em que mais da metade das espécies da Legionella implicaram doença. A L. pneumophila responde pela vasta maioria de casos no mundo, com a L. micdadei classificada distantemente em segundo lugar. A L. longbeachae e a L. dumoffii estão classificadas em terceiro e quarto, respectivamente, na mais recente pesquisa da Doença dos Legionários nos E.U.A. em contraste com a incidência de L. pneumophila. A L longbeachae é a espécie predominante da Legionella responsável pela infecção em muitas regiões de Austrália. As maiorias das espécies da Legionella que não são bem conhecidas foram implicadas a doença; por exemplo, L. tucsonensis esteve isolada de um paciente de transplante renal e L. birminghamensis em um recipiente de transplante cardíaco. Como resultado disso, é plausível deduzir que uma infecção causada através da Legionella spp. ou, especificamente, da L. pneumophila, é hábil para causar doenças em hospedeiros imunocomprometidos. Um exemplo de umas das espécies da Legionella que não foram implicadas em qualquer doença em uma população humana é a L. spiritensis. Porém, há uma possibilidade que o organismo pudesse causar doença se em contanto com as condições necessárias para se desenvolver nas células. 2

 

REFERÊNCIAS

 

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